Uma história de Ogun, o Alákoro
Durante os festivais que realizamos aqui em nosso estado
afro-brasileiro da Bahia, cantamos e rezamos em língua Nagô (Língua iorubá).
Entre os cânticos que entoamos em louvor a Ogum, cantamos:
Ògún
pa!
Ó le
pa,
Alákoro
pa
Ó járe
A tradução:
Ogum mata
ele pode matar
O Dono do Capacete Mata
(mas) Ele é considerado inocente
Ogun é o Deus da Guerra. Ele é um Orisa que todos conhecem
em conexão com o ferro. Ele faz curas e reina sobre tudo que é de ferro. Os
adeptos de Ogun têm certeza de que Ele é um Pai zeloso e cuidadoso, como uma
mãe seria para seus filhos e para a família. É a ele que chamam quando juram
nos tribunais ou para pedir proteção quando precisam viajar. Ogun é um
Divindade que não descansa, e que lava com sangue como se fosse água. No
entanto, quem está sangrando não deve se aproximar Dele.
Em sua vida terrena, Ogun é considerado o primeiro rei de
Ile Ife, o berço da civilização Iorubana. Mas também é sabido que Ele rejeitou
os privilégios de um trono e insistiu em suas atividades de caça e em sua vida
livre. De fato, a história nos diz que Ele rejeitou Sua coroa (Ade) em troca de
um Capacete (ou “Akoro”, daí o seu título de “Alákoro”, que significa
literalmente “o Dono do Capacete” ).
Ogun trabalhou com sua inteligência e conhecimento
privilegiados para salvar o reino de Ile-Ife. Assim Ele mereceria o devido
respeito por parte dos súditos do reino.
A história nos conta que um dia Ogun acabara de descer da
montanha onde se exilou por um longo e solitário período. Ele estava muito sujo
e enfrentava os problemas naturais de quem passou muito tempo na solidão do deserto.
Essa mesma história oral transmitida entre gerações nos
conta que um episódio marcante aconteceu devido a uma interpretação equivocada, por parte de Ogun, com relação ao comportamento de algumas pessoas.
Ele viu pessoas bebendo vinho e não oferecendo a Ele, e interpretou isso também como
se estivessem zombando d´Ele, o que seria um grave “desrespeito”. Essa atitude despertou em Ogun, uma fúria assassina. Ogun matou todos eles na
mesma hora.
Mas, na verdade, não se tratava de uma ação deliberada da parte daquelas pessoas. O fato é que não havia mais emu (vinho) nos agbè (cabações)
que estavam de pé, então, as pessoas não tinham mais vinho para oferecer a Ele.
Tarde demais.
Desde aquele dia, os iorubas não deixam garrafas de vinho
vazias em pé. Depois de esvaziá-las, elas (as garrafas) são deitadas no chão em
sinal de lembrança e respeito a Ogun.
Ogun não teve uma morte regular, como é universal a todo e qualquer ser humano. Seus seguidores acreditam
que Ele tenha "wọ ilẹ̀" (entrou na terra, se imortalizou), em um
lugar chamado Ire-Ekiti, com a promessa de ajudar aqueles que invocam Seu nome.
Ao longo de Sua vida terrena, acredita-se que Ele também
tenha lutado pelo povo de Ire. Essa é a causa de Ele também ser conhecido como
"OniIre", que significa literalmente "o dono de Ire" (é
assim que as pessoas chamam o rei por lá).
Saudemos Ogun, dizendo: Ogun ye! Pàtàkì ori laarin gbogbo iranse Eledumare, ou seja, Ogun vive!, importante líder entre os ministros de Deus!
Mo dupe gidi ni fún omo iya mi Félix Ayoh-Omidire ti o salaye
itan Ògún yii fún mi.
Agradeço ao meu irmão Félix Ayoh-Omidire por me explicar
esta história de Ogun.
Referência:
1. Ogum; https://en.wikipedia.org/wiki/Ogun (Acessado em 10
de fevereiro de 2023);
2. Imagem da capa: Uma Espada fotografada por Pierre Verger
em Abomey, República do Benin;

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